Defender a Europa implica defender o Natal

Como a mim não me chocaria ver edifícios públicos celebrando e apontando festas das religiões que têm comunidades numerosas no meu país (que bonita ficaria a Assembleia da República decorada com castiçais de sete braços para celebrar a Hanukah, por exemplo), escapa-me a parte em que o reconhecimento público de uma festa religiosa da religião da maioria da população pode ser ofensivo. Mas isso sou eu, uma rústica que ainda não percebi que temos de nos penitenciar por sermos o que somos.

Claro que nem só muçulmanos (e nem todos) se ofendem. Os ateus totalitários ofendem-se ainda mais com a expressão pública da religião. Sobretudo a cristã, que ainda vivem num trauma (próprio de adolescentes) contestatário às raízes culturais onde nasceram e cresceram – e que permitiram a criação da tal sociedade livre. (Já do islão é proibido referir a maneira amável como tratam as mulheres ou o apoio de tantos clérigos ao extremismo e ao terrorismo.)

O Natal é ‘a’ festa do mundo ocidental; recusá-la é o sintoma máximo do repúdio pelo ocidente. Claro que é uma festa familiar para muitos não crentes e celebra o solstício de inverno para os hippies. Mas tem raízes cristãs. Saber conviver com essas raízes cristãs – que até trouxeram coisas boas como a maior festa do ano – está, se se esforçarem, ao alcance de ateus totalitários e muçulmanos. Mais um bocadinho e até perceberão que orgulharmo-nos da Europa implica orgulharmo-nos (podendo notar-lhe os defeitos, que os teve em abundância) da cultura que nos deu as catedrais góticas e os frescos renascentistas. E o Natal. É fulcral aceitarmos de onde vimos para apreciarmos o que somos.

Maria João Marques – Observador

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As esganiçadas, as damas, as sufragistas e os traidores às sufragistas

Mas, quanto ao ‘esganiçadas’, não vejo onde está o exagero. Apenas almas quadriculadas julgam não se poder comentar a forma – tantas vezes odienta – como se expressam as dirigentes do BE só porque são mulheres. Francisco Louçã também era esganiçado, digo agora eu, e falava sempre com contundência e os olhos muito abertos próprios de um acusador da Inquisição (que Louçã não deixa de ser).

Neste caso os escandalizados mostraram a habitual hipocrisia. Porque quando os alvos são as mulheres de direita, estão na primeira fila dos ataques ou não têm reação. Ainda há poucos dias li considerações assaz deselegantes de Estrela Serrano sobre Teresa Leal Coelho. A imagem de Isabel Jonet é gozada ad infinitum. E recordo-me da agitação – não no socialista anónimo das redes sociais, mas em ex-deputados do PS e em jovens promessas que agora transportam com enlevo a esperança de uma assessoria no futuro governo da frente desunida de esquerda – que a gola de renda de Isilda Pegado num debate da televisão gerou nas ditas almas.

Já é tempo de a esquerda perceber esse bom conceito que é a reciprocidade do escrutínio.

Maria João Marques – Observador

Jornalismo Parolo

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Outras possíveis revelações de grandiosa intensidade:


  1. este último é mentira e claramente nunca irá aparecer porque para acontecer, os nossos caros jornalistas tinham de ter o mínimo de bom senso e um nível de profissionalismo minimamente exigente. 

O manifesto dos 115

Começam por explicar o que os preocupa. A “esquerda” não percebe ou finge que não percebe, mas para os signatários do manifesto basta “o facto de dois dos partidos que podem formar um novo governo ou maioria parlamentar serem estatutariamente anti-inciativa privada”. Só por si, previnem os 115, a presença do PC e do Bloco na mesa do Conselho de Ministros ou perto dela levou ao “adiamento de projectos” e, portanto, de “novo investimento”. E, para as pessoas com dificuldades cerebrais, o manifesto acrescenta que a política do afamado dr. Costa produzirá “mais desemprego, mais sofrimento e mais pobreza”. Os 115 são sérios. Infelizmente, não faltam por aí trafulhas para ouvir o incitamento implícito no manifesto, ou seja, “ponham o vosso dinheiro a salvo, enquanto é tempo”. A Holanda e o Luxemburgo agradecem.

Vasco Pulido Valente – Público

Isto não é normal, nem na Noruega

António Costa diz que o país queria estabilidade e mudança de orientação. Mas com os seus três acordos, ele nunca lhe poderá dar nem uma coisa nem outra. Não há alternativa a eleições antecipadas.

Pediram um acordo? Pois António Costa não traz um acordo, mas três, porque o PCP teve o requinte de se desmultiplicar e exigir dois (um com ele próprio e outro com o seu heterónimo Verdes). Há três acordos, mas pelo menos dois deles, segundo Costa explicou na SIC-Notícias, não são “políticos”, apenas “programáticos”, isto é, uma troca de “medidas simpáticas” (expressão do próprio Costa). Entre os quatro partidos, segundo ele, há “diferenças profundas em matérias importantes”. Um governo de Costa ocupar-se-á assim só de matérias que não são importantes?

Rui Ramos – Observador

Uma mão cheia de nada, outra de coisa nenhuma

Portanto, clarifiquemos. Ao fim de um mês inteiro de “negociações” e ameaças de derrube de governo indigitado, o PS e António Costa têm exactamente à data: Nada. Zero. Rien. Coisa nenhuma.

Ah, mas ambos o PCP e o PS já disseram que se vai chegar a acordo… Pois. “Vai”. Eventualmente. Algures. Provavelmente… O PS quer/necessita de apresentar ao PR um acordo de Legislatura inteiro, escrito, formalizado, bem definido. O PCP muito provavelmente entregou ou entregará algo do estilo: (resumido)

“O PCP, no superior interesse de Portugal e da defesa dos trabalhadores, compromete-se a dar o seu apoio ao derrube deste governo da direita mais reaccionária, neo liberal e coiso e tal, e consequentemente dar o seu apoio parlamentar a todas as iniciativas de um governo de esquerda que contribua para a defesa da economia Portuguesa e dos trabalhadores.

Note-se o ênfase a negrito. Não está lá por acaso.

If I was a betting man, deverá ser isto que o Camarada Jerónimo entende como acordo e todas as condições para o PS formar Governo. Note-se que ambos dizem a mesma coisa. Que estão criadas as “condições” para haver um acordo e/ou um Governo. Só que claramente ambos entendem isso de modo diferente. Costa/PS desejam a domesticação do PCP por 4 anos e não ter de se preocupar com estes roerem a corda a qualquer momento, que é o mais provável. O PCP deseja apenas derrubar o actual governo e não se quer prender nem sair da sua posição, confortável mas incompetente & incoerente, de Partido de Protesto. Logo, fará o que sempre disse que faria. Dará o seu apoio a todas as medidas que esvaziem o Orçamento de estado a favor dos “Trabalhadores”/funcionários públicos e estará contra todas as medidas que mantenham um mínimo de coerência e equilíbrio das contas públicas.

Note-se que não é de todo ser incoerente neste aspecto. Isto sempre foi o que o PCP disse que faria… E assim, daqui a 6, 8, 12 meses máximo, o tapete é puxado, com óbvia culpa do PS que “queria forçar o PCP a defender algo que o PCP sempre disse que não defenderia”, vamos para eleições novamente, e o BE e o PS aparecem como os partidos da austeridade e que violaram a sua palavra. Não entender isto é não entender o PCP ou a fábula do sapo e do escorpião…

A ver vamos. Espero ansiosamente, com pipocas, as cenas do próximo capítulo. 1


  1. Isto de “cenas do próximo capítulo” neste contexto, só me soa às “etapas da via sacra” que no fim, como se sabe, acaba com a crucificação nada simpática do personagem principal. E neste caso, após o próximo desaire das presidenciais, será algo metaforicamente semelhante. 

A espera

“Eu não poria em causa um acordo sem o desconhecer. Discordo a ideia que ele tem em que perante uma situação em que o país não tem nenhuma maioria e que perante a incerteza a a instabilidade que seria prejudicial (…) que nós tivéssemos uma posição de simplesmente estarmos na oposição numa posição um bocado cínica, de estar à espera da primeira escorregadela do Governo e provocar uma crise política”, disse.

Costa sobre Assis – Observador

Portanto, nada de esperar, mais vale provocar logo a crise política desde o início sem se ter algo pronto para apresentar em alternativa. Prático este Costa, pá!